10 Novembro 2009

Ternura

27 Outubro 2009

Como nasce um poema

.
Como nasce um poema?
Não sei!
Sei que a flor, qualquer que seja~
nasce de semente
mas, como acontece.
Não sei!
Que caos desarma aquela estrutura
insignificante ao olhar,
estranha, feia, escura
e, dela faz surgir beleza viva e pura?
Não sei!Como nasce um poema?
Não sei!
Que caótica convulsão se aglutina
nessa emoção semente
nesse grito de amor e de lamento
nesse canto de hossana, raiva
e deslumbramento
que faz o poeta
ter a semente na alma
e nunca alcançar a meta!
Isso sei!
.
Maria José Rijo

23 Setembro 2009

"Desabafo"

Dizer - eu dizia-
quero, não quero...
e, queria e não queria...
e, fiz o que fiz-
e o que queria
nem sempre fazia-
e ganhei perdendo
e perdi ganhando
dia após dia!
- que a luta é a Vida!-
e o sonho o caminho
que tenta e encanta...
e, só contra o vento
o vôo se alevanta!
.
saudades
.
Maria José Rijo

16 Setembro 2009

São Mateus

Setembro, em Elvas, é o mês das festas da cidade.
Setembro, em Elvas, é por excelência, o mês das tradições.
Se, pelo Natal e pela Páscoa no mundo inteiro se revivem velhos ritos e se procura ressuscitar as centelhas de Amor e de Fé que habitam em cada ser humano, por mais afogadas em cinzas que elas se encontrem…
Com as festas regionais é diferente!
Neste mês de Setembro são os costumes locais que despertam. É a região, em si, que fala pelo alvoroço dos seus habitantes. É o espreguiçar do rame-rame, é o ressurgir das vontades. É o… vamos caiar a frontaria? – Vamos pintar o chão? E… a cortina nova para a porta – que tal? E…, a saia que se desejou? – O lenço que se sonhou, a prenda que se quis dar? – Será? – Não será?

- Talvez! Talvez se torne possível – é São Mateus!
É a magia do sonho a imiscuir-se na dureza da realidade do dia a dia.
É a Poesia. É o vibrar da alma das coisas, das recordações, a acenar, como asa que passe rente aos olhos.
É o contar e recontar dos “cobres”!
- Dará para a carne de borrego? – Para o bolo de que tanto se gosta e de que já quase se perdeu o jeito de fazer! – Com o açúcar ao preço que está!
- E os ovos?! – Mais cara a dúzia do que a galinha, ainda outro dia… É verdade! – Pois é! – Mas é São Mateus.
E o Santo lá vai emprestando o Nome, como aval da coragem que se cria para gastar em extras o que num ano inteiro a rigidez do orçamento garantiu como impossível.
- É o milagre a acontecer. As ruas enchem-se dos cheiros antigos, que irradiam das ousadias das donas de casa…
Cheira a assado! – A “coxo frito”! – a azeite quente fritando costeletinhas panadas… a bolos no forno…Cheira a foguetes, a churrasco na feira, a vinhos e petiscos!
Cheira a alegria, a fé renovada no viver, a sonhos saciados no riso das crianças… a choro de fato novo estragado na queda imprevista…
Cheira a Setembro em Elvas com o Outono a insinuar-se no bailado das folhas secas pelo chão. Cheira a São Mateus!
Vamos ao arraial? Vamos?
Vamos todos atrás dos Pendões.
Vamos que a festa é nossa e … Bendito seja o Senhor Jesus da Piedade.

Maria José Rijo

17 Agosto 2009

A Orquidea...


11 Agosto 2009

A Conchinha e a Tia


Faço-o hoje juntando-lhe “um retrato”que alguém muito querido
na indesmentível sinceridade dos seus cinco anos, pintou,
de mim com a lucidez e a verdade que só as crianças sabem usar.
Sei que poderia aduzir milhentas explicações e todas verdadeiras –
algumas delas o Ventura Trindade referiu –
para o meu silencio, porem, nenhuma delas teria a
consistência e o vigor do retrato falado que a Conchinha,
minha sobrinha bisneta, tão espontânea
e sucintamente, de mim, fez.


Tive-a na minha companhia durante umas
pequenas férias de praia no Algarve.
Num dia em que lhe prometi comprar conquilhas –
petisco, com que delira – ao regressar a casa depois de mim, dirigiu-se ao pescador que no caminho as vendia interrogando:
-- Senhor homem! – Passou por aqui uma velhota a comprar conquilhas?


Texto integral:

07 Julho 2009

Férias e Mar...

Estamos em 2009. É Julho.
É pleno Verão.
Estou de férias mais uma vez e ... TEMOS COMPUTADOR
A pergunta impõe-se : - QUE É FEITO DE VÓS?
Vamos voltar à conversa - tenho saudades.
Beijinhos

Maria José

11 Junho 2009

Regresso:

À minha estada em Juromenha se deve ter deixado sem
respostas os comentários que entretanto se foram acumulando.
Deixo para todos umas imagens da beleza daquela
pequena povoação cheia de história, a que está ligada a memória, até,
de casamentos reais.Deixo também o meu desejo de
retomar a conversacom todos os meus sobrinhos, amigos e visitantes de
quem já tenho muitas saudades.A esta explicação,
junto a minha gratidão e as minhas desculpascom um forte abraço.
Maria José

10 Junho 2009

Postal de Aniversário

Em a
“Epopeia da Planície”
António Sardinha
escreveu
“Ladainha à água dos cântaros”
de onde respinguei:


Louvada seja a água prisioneira
Das bilhas postas em linha
Numa cerrada fileira
Sobre os poiais da cozinha

E de:

“O Elogio do Púcaro”

Tu és a minha companha
Eu tenho-te à cabeceira
Ò pucarinho de barro
Enfeite da cantareira
Da casa de Juromenha – um pormenor – para que no dia do seu aniversário o muito querido Aristeu, mate a “sede” das lembranças do nosso Alentejo.

Beijinhos de Parabéns para todos

Tia Zé e Paula

10 Abril 2009

Desenhos

Desenho de Maria José Rijo

06 Abril 2009

Venham Comigo

Para rematar o nosso passeio, uma volta em redor do tronco
desta oliveira milenar.
Obrigada pela companhia, é sempre bom estar convosco.
Beijinhos gratos.
Nestes tempos de Páscoa do ano de 2009 porque não hoje,
dia seis de Abril, um passeio por entre essas árvores míticas
– as oliveiras – que desde tempos imemoriais fazem parte das
nossas paisagens e da nossa cultura!
Com azeite se faz o sinal da cruz abençoando, com azeite se faz
o sinal da cruz na extrema-unção.
No princípio e no fim da vida dos cristãos o fruto dessa árvore
simbólica da Paz e da imortalidade, fornece o divinizante oiro liquido,
que para além de precioso alimento e mezinha, era também fonte luz,
como se ensinava às crianças com a decantada adivinha:


06 Março 2009

Entardecer

Parece que a minha alma me deixou
E, o caminho em que persisto
É de reencontra-la
para saber se sou
ou se apenas existo…


Maria José Rijo
(1992)

04 Março 2009

... E na montra...

desenhos de Maria José Rijo

07 Fevereiro 2009

Preciso de amar

Preciso de amar
para sentir que vivo
Preciso de amar
para acreditar que vivo
Preciso de amar
para saber que vivo
se o Amor
não for o motivo
viver
só pode ser
estar cativo
da sentença de morrer.
.
Poema de
Maria José Rijo

A velha...

... desenho de Maria José Rijo...

03 Fevereiro 2009

Caminho Escuro

MIRALDINA
Desenho de Maria José Rijo
16-Janeiro de 1957

25 Janeiro 2009

Amores à janela

08 Janeiro 2009

Entrevista-Set. 2008-Radio Elvas

Entrevista nos Microfones
Da Rádio Elvas
Entrevistou - Marina
Durante a inauguração da Exposição Percurso
No Museu de Fotografia
19 de Setembro de 2008

Procurei fazer, como que: um busquejo começando do princípio dos meus trabalho porque, tenho recordações, como toda agente afinal tem, mas às vezes têm só recordações, só a lembrança e não têm testemunho e eu, com a mania de guardar coisas, não é que eu seja coleccionadora, mas, junto coisas, tenho amor, aos papeis, aos trapos, junto, transformo, faço bonecos, faço coisas que então comecei a juntar desde há muito e portanto, é uma história contada, justamente por isso, com trabalhos.

QUAL A OBRA QUE DESTACARIA?

Penso que do ponto de vista da originalidade, seriam os trabalhos de conchas porque não são trabalhos feitos com conchas bonitas, é aproveitar as sugestões dos cacos, das conchas partidas, que são as que mais me falam, porque afinal de contas aquelas que têm mais história.
Estão partidas porque viveram, foram quebradas por alguma coisa porque já aturaram muita maré, muito céu, muito sol, muita lua e é aproveitar isso para dar-lhes formas novas

Agora, como trabalho, mais gratificante e realmente mais moroso e que a mim me deu mais emoção fazer – foram os trabalhos de madeira porque quando idealizava um boneco não sabia porque ponto havia de começar.
Ás vezes perguntavam-me assim – como é que fazes?
e eu respondia – corto o que me sobra.
E era realmente assim.
Eu via o boneco lá dentro e depois começava a tirar daqui, dalém, dacolá – chegava a ter febre – o meu marido as vezes dizia-me: “Não fazes mais nada!”
Cheguei a ter 38,5 de temperatura da excitação porque eu era a primeira pessoa a ver o que saía.
E era isso.

A SUA COLECÇÃO É MUITO VASTA DESDE CHAVES, A MADEIRA PASSANDO POR CONCHAS…

Eu acho que na vida é tudo bonito e não acho que as coisas quebradas sejam todas lixo e nem de deitar fora.
E depois, por exemplo, tenho ali um quadrinho, feito de quase nada. Eu tinha uma única sobrinha, como tenho uma única irmã e ela era de uma gentileza, extraordinária.
Uma vez cheguei lá a Lisboa, bati à porta e ela não estava. Eu esperei, um quarto de hora, até que ela regressou e abriu a porta.
Segunda vez, ela tinha a chave da casa, com uma etiqueta a dizer Casa de Lisboa – “nunca mais a minha querida tia, espera à porta”

Depois, eu podia deitar essa chave fora – já não serve para nada. Mas enquadrei, a fotografia dela com os filhos e agora vou dar, ao mais novo, que é o que vive mais só.

São estas coisas assim, porque são como mensagens de vida, de outros que a gente recebe e depois transforma e guarda ou dá.

07 Janeiro 2009

Saudades

Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.746 – 30 – Janeiro de 2004
# - 7 de Janeiro de 2004 #


Maria Barbara Trinité Rosa e Maria José Rijo, participam a todas as pessoas interessadas, que no dia 7 de Fevereiro, pelas 11 horas, será celebrada na Igreja do Salvador, missa do trigésimo dia pelo eterno descanso de sua santa mãe – a avó Ana.
Desejam também, em seus nomes pessoais, de netos, bisnetos, trinetos, sua desvelada empregada e amiga Bia, da querida Paulinha e de todos os demais “netos do coração” que com seus cuidados ajudaram a amparar as fragilidades dos seus quase cento e quatro anos – agradecer as orações, a companhia, as flores e todo o apoio que por qualquer forma lhes tenha sido expresso por tão irreparável perda.
Para todos em geral uma palavra de gratidão extensiva à Fundação Gonçalves, sempre disponível com o seu pessoal eficiente, representado neste caso com a presença diária da Lina e da Paula; bem como às enfermeiras Céu Garcia e Goretti, impecavelmente prontas e carinhosas na sua ajuda.

Desejam ainda, muito veementemente, tornar público o especial reconhecimento que lhe merece o Doutor Luís Monteiro, que ao longo de quatro anos, em que começando por ser médico assistente, sabedor e eficiente se transformou no amigo atento e protector, que, nas horas finais, agiu como o missionário iluminado e piedoso – o Homem – cujo espírito de missão e generosidade, transcende a própria condição humana.
Um aceno de coração, também para a minha companheira do “velho” Colégio Luso – a Querida Céu Barradas – cuja mão amiga, mais uma vez, segurou a minha nos maus bocados do meu longo caminho.
Permita-se-me ainda uma especial referência ao Senhor Presidente da Câmara, a quem politicamente já tenho criticado, mas que teve a grandeza de alma de não confundir as águas, o que só posso registar com grato e comovido respeito.
A todos, e para todos, sem excepção, o profundo reconhecimento de todos nós.

Maria José Rijo

02 Janeiro 2009

Menino Jesus

pintado por Maria José Rijo

22 Dezembro 2008

Natal

.
Olha para o céu
verás uma cruz
capelas de rosas
Menino Jesus
.
O menino chora chora
chora com muita razão
fizeram-lhe a cama curta
tem os pezinhos no chão
.
Oh meu Menino Jesus
dizei-me porque chorais
deu-me minha Mãe um beijo
choro, p'ra que me dê mais
.
Oh meu Menino Jesus
Oh meu menino tão belo
logo foste nascer
ao rigor do caramelo
.
Eu hei-de ir ao presépio
Assentar-me num cantinho
para ver o Deus menino
que nasceu tão pequenino.
...
Sentemo-nos todos no Presépio e digamos
de todo o coração, uns para os outros.
Um Santo Natal
Boas Festas
.
Maria José Rijo

07 Dezembro 2008

Minha Mãe

..
Minha Mãe
.
Deu-me a vida e o mundoSeus sonhos
Semeou-os em mim
E, eu neles vivia, me via e me revia
E, sendo ela tudo para mim
Nela tudo fui
No amor que em mim floria
Ela, não mo dizia Mas, eu sabia!
Sabia que era assimBastava ver
Como ela olhava para mim...
.
Minha Mãe partiu
Levou meu mundo com ela
.
Deixou-me neste vazio
Sem tempo e sem idade
.
Como que suspensa por um fio
a balouçar sobre a eternidade
.
Maria José Rijo

06 Dezembro 2008

O outono...

O Outono - (Foto Paulface)

20 Novembro 2008

Menino Jesus

talhado a canivete
por
Maria José Rijo

11 Novembro 2008

O Kiko

08 Novembro 2008

Entrevista-19 Set.-Radio Renascença

ENTREVISTA
aos microfones
da Rádio Renascença/Elvas
No dia da Inauguração da Exposição Percurso
no Museu de Fotografia
- 19 de Setembro de 2008
Entrevista – Sandra Gomes
MJR – Pois, já lhe disse que comecei pelo retrato da Minha Mãe, quando se casou e do meu Pai, depois dos últimos retratos dos meus Pais.
A minha Mãe no dia em que fez 100 anos, veio a falecer com 104, o meu Pai aos 81 anos, foi quando faleceu.
Depois é a minha história, as fotos do meu marido quando nos conhecemos, a nossa fotografia de casados, o enquadramento familiar dele, no emprego, a faculdade de ciências, em Coimbra, o Jornalismo. Enfim é uma súmula de todas as coisas.
Todas as coisas têm um princípio, o meu foi assim…
e depois diplomas de Exposições,

Prémios de outras exposições, trabalhos de conchas, de artesanato em madeira, depois a época em que eu pintava gessos e depois a pintura a óleo.

Nalgumas – como este painel aqui – é um bocado critica social, por exemplo – aquele canhão com LOVE, a “Paz possível” chamo eu àquilo, como numa altura em que só se fala de paz é a morte, porque é a guerra que impera continuamente, uma espécie de critica social.

Isto aqui também tem que ver com as infra-estruturas, os pedreiros a fazerem prédios magníficos e depois aqui a aquecerem a panelinha da comida ,num lume qualquer.
Este desfazamento, entre a grandeza, às vezes do que se faz e do que se mostra e a pobreza com que se vive.
A isto chamei BIAFRA – com crianças – porque me faz um pavor, uma coisa horrível, que as crianças passem fome. É uma coisa intolerável.
E depois um raminho de Flores, que há sempre um sorriso que em qualquer altura, mesmo na mágoa, ás vezes…
Isto é uma Marinha que eu fiz de casa da minha irmã, que ela tem à beira mar
e eu lá pintei isto.
As árvores do Jardim que são a minha paixão.

Jogos florais Luso-espanhóis em que ganhei alguns prémios, mais gessos…
Isto é uma camisinha, que a minha Mãe guardava com muito carinho, que nós vestimos
Fomos três raparigas e as três fomos baptizadas com esta camisinha. Portanto a mais velha teria hoje 86 anos. Esta camisa tem 86 anos.São coisas de ternura que eu guardo

Isto é no tempo em que a iluminação era a petróleo, pelo menos, no campo, onde nós vivíamos, as minhas avós e as minhas tias com toda a paciência deixavam-se retratar ao serão e eu agarrava no lápis e no papel e fazia.
A minha avó Maria Constança, a tia Chica, a avó Maria Barbara, é claro, o meu Pai e a minha Mãe, não tinham pachorra para aturar essas coisas, mas as avós, são as avós.

Isto é a visão que eu tenho da minha sobrinha Francisca, que era uma criança “só olhos”, extasiada, olhando, calada, olhando… e adorando borboletas e flores.
Acho que… enfim, saiu-me aquilo.
Isto é o meu gato, que Deus haja, foi o meu companheiro durante muitos anos e que morreu, como todos os gatos e todas as pessoas e toda a gente
Isto é a dor da minha vida, que é a Quinta do Bispo.
Isto são os tarecos lá de casa, que eu ás vezes juntava para pintar.
Aqui é uma colecção de presépios de conchas.
Depois vamos por este lado
Está o Alentejo, a sua lonjura, porque isto são as coisas que eu pinto de cor, pinto em casa.
Pinto a Emoção que as coisas me dão.
Isto é a imagem dos sobreiros que sempre achei fantasmagóricas, são lindos, mas arrepiam-me

Isto eram as árvores das Caldas da Rainha, que eu vivia em frente da mata.
Isto são as recordações que eu tenho do mandato da Câmara, que achei muito importantes. São os meus camaradas de trabalho.
Foi a Fundação da Escola de Música, foi a fundação do Coral, foi a criação da Casa da Cultura. Foram uma série de coisas que hoje estão esquecidas do grande público, mas que aconteceram na época do João Carpinteiro.
Do Dia Mundial da Música, os Postais de Gastronomia que tiveram um êxito extraordinário, que a Câmara teve com aquele trabalho que foi feito.
Todas as coisas da Câmara, que fui eu que fiz – nunca são obra de um só, isto é da responsabilidade de um grupo, mas ás vezes agente tem mais interesse porque teve uma ideia e a coisa resultou.
É um livro da Escola, um livro de Ciclo com um poema meu.
Isto foi uma história de capa que eu escrevi para as Luzitas, há uns quantos anos .

R.R – Muitos dos objectos que podemos ver nesta exposição, são obras, objectos particulares, Objectos seus?

MJR - Sim, são coisas minhas de que eu gosto. Olhe, por exemplo, esta foi a minha única sobrinha, filha da minha irmã, e que era uma pessoa encantadora, e ofereceu-me a chave da casa dela de Lisboa, para eu não ter de bater à porta.
Ela morreu. Essa casa fechou-se.
Eu tenho aqui a chave, pus o retrato dela com os quatro filhos, a minha Mãe, que viveu com ela muito tempo e a avó, que lhe tinha dado a casa.
Portanto isto é o molho da chave da avó Madalena e este é o molho das chaves das malas da minha Mãe.
São saudades, são retalhos de vida!

- E depois…Isto são canivetes.
Olhe, alguns têm uma história muito engraçada. Amigos que me davam – o Sr. Couto que Deus tem, que morreu, eu sei lá há quanto tempo, ofereceu-me o canivete com que cortava os calos, porque estava apaixonado pelos meus trabalhos de madeira. O Dr., que agora não me ocorre o nome dele, ofereceu-me este canivete de Albacete, que lhe deu o padrinho, quando ele fez sete anos.
Este deu-me o meu cunhado Eduardo. Como eu trabalhava em madeira toda a gente me dava faquinhas, depois deixei de trabalhar em madeira e emoldurei-as. Estão aqui.

São Salas de Gente.
São memórias, retalhos de vida.

Estes são os meus bonecos de madeira que estão aqui.
São feitos a canivete, com alguns canivetes desses.
Isto que também tem alguma graça, são os dedais da minha avó, da minha bisavó, das minhas tias.
Estão todos identificados com as datas.
Isto é um bordado, que é da minha tia Chica, que morreu com oitenta e tantos anos e era habilidosíssima.
E estas são as Senhoras donas dos dedais:
A minha avó Maria de Jesus, a minha avó Maria Barbara, a tia Feliciana, a minha Mãe, a avó Maria Constança, a tia Chica e a prima Albertina.
Que eram as habilidosas da família. E então eu coleccionei os dedais e estão aqui.

É uma maneira de viver e estar na vida.
Pronto… isto são os registos que estão aqui, mais ou menos oitenta…
Por ali, alem, mais uma colecção de chaves…




Mais umas coisas e pronto… aqui tem. É a exposição.

RR- E assim temos um pedaço de história…

MJR – E aqui temos retalhos que somados são dias da minha vida!

R.R.—Exactamente Margarida Gonçalves, depois desta visita guiada a todas as obras aqui em exposição, no Museu João Carpinteiro.
Se ficaste com curiosidade e isso mesmo digo aos nossos ouvintes, aproveitem.
A exposição vai estar aqui neste mesmo espaço até ao dia 9 de Novembro.
São exposições que juntam pequenas montagens de recortes de jornais, fotografias, postais, pinturas e outros objectos feitos por esta artista, Maria José Rijo.
Objectos feitos de madeira, objectos feitos de conchas, objectos feitos com bordados e outros acessórios que fazem parte da vida desta artista.
Margarida, daqui é tudo, do Museu João Carpinteiro.
Já sabe, pode muito bem passar por aqui e assistir um pouco deste percurso de vida.

RR- Muito obrigada Sandra Gomes, que está em directo do Museu de fotografia João Carpinteiro, em Elvas, pode ver assim, esta exposição baseada nas memórias de Maria José Rijo. Mesmo em época de São Mateus até ao próximo dia 9 de Novembro.

06 Novembro 2008

Na Revista In Alentejo

IN ALENTEJO
REVISTA
Nº 9 (44 mensal)
Novembro – 2008

“PERCURSO” de MARIA JOSÉ RIJO
No Museu de Fotografia
“Percurso”, de Maria José Rijo, é o título da Exposição patente de 19 de Setembro a 9 de Novembro na sala de exposições temporárias do Museu Municipal de Fotografia, em Elvas.
Esta mostra, construída por registos, quadros e muitos outros trabalhos da ilustre Maria José Rijo, foi inaugurada na tarde de 19 de Setembro. O acto inaugural contou com a presença de dezenas de pessoas que fizeram de questão de acompanhar a autora do espólio e o director do museu neste momento.
À “InAlentejo”, João Carpinteiro, director do Museu, disse que esta exposição “é muito grande” e “muito diversificada”. A mostra abrange trabalhos que vão desde os quadros às conchas, aos livros e aos bonecos. “Toda a sua vida está aqui espelhada. Há registos desde a altura do Liceu até aos dias de hoje”, referiu.
A sala de exposições temporárias, onde estão patentes as peças, foi decorada de acordo com a sala de Maria José Rijo, onde se encontram grande parte dos trabalhos expostos. “Depois disto estar aqui arranjado, pensei: ‘Eu tenho isto tudo em casa’. A verdade é que tenho e a maior parte destas coisas são da minha sala. Agora, quando entro aqui, sinto-me em casa e em minha casa não me sinto bem, uma vez que está vazia”, referiu a autora da exposição.

Doar este espólio é, segundo João Carpinteiro, um sonho de Maria José Rijo e esta exposição “Percurso” pode ser “o arranque” para a sua concretização. “Vamos ver o que é que o futuro nos reserva”,acrescentou.
No que diz respeito a este desejo, Maria José Rijo afirmou já ter oferecido a maioria destes trabalhos à Escola de Musica, quando esta foi fundada, para fazerem uma sala com o nome do meu marido (José de Almeida Rijo”. “Ninguém pegou. Agora está aqui e alguma coisa há-de acontecer”, culminou.

03 Novembro 2008

Desenhos de Maria José Rijo

Desenhos
Desenhs de
Maria José Rijo

Auto retrato

Desenho
de Maria José Rijo

A exposição no Boletim

EXPOSIÇÃO DE MARIA JOSE RIJO
PERCURSO

01 Novembro 2008

Dia de todos os Santos

28 Outubro 2008

O Burrinho das Caldas

Desenho de Maria José Rijo

Nossa Senhora da Conceição

Exposição Percurso
Nossa Senhora da Conceição
peça pintada por
Maria José Rijo

21 Outubro 2008

Monte Velho

Quadro a Óleo
de
Maria José Rijo

Flores de Maria José Rijo

Rosas

O Painel

Quadros a Oleo de Maria José Rijo

19 Outubro 2008

Os Oleos de Maria José Rijo

As Ólaias
Alentejo

Na visita à Exposição

concha

Bonecos de Madeira

talhados a canivete
por Maria José Rijo

Exposição PERCURSO

Maria José Rijo

14 Outubro 2008

A prateleira da saudade



Dedais da Familia

A colecção de Dedais
da Familia

09 Outubro 2008

Trabalhos de Conchas

o GATO de conchas
o CÃO de conchas

03 Outubro 2008

Na visita...


02 Outubro 2008

Bonecos de Madeira - Rostos...

Retrato de Menina...

Oleo de Maria José Rijo
de 1982

Exposição PERCURSO - detalhes

.. Conjunto ..
... Cerâmica ..
.. Santo António...
.. Trabalho de conchas - Mocho - ..

.. diversas caixinhas..

Pormenores

Exposição a não perder
no Museu de Fotografia de Elvas

01 Outubro 2008

Presépio de Conchas

TRABALHOS DE Maria José Rijo

A Exposição - No Jornal Despertador

1 de Outubro de 2008
Nº 238
Chamada à capa

A entrevista ao Despertador